Dia: 23 de janeiro de 2025

  • TI Bimodal: O Lado de Operações da TI

    TI Bimodal: O Lado de Operações da TI

    No artigo anterior, abordei o modelo de gestão da TI Bimodal, que separa de forma estruturada a gestão da operação e do dia a dia da TI da inovação e transformação digital. Embora distintas, essas duas áreas coexistem e se integram de maneira estratégica. 

    Neste artigo, trago um olhar sobre a gestão da operação de TI, que vai muito além do suporte técnico — como muitos imaginam. A operação de TI é, na verdade, o coração da execução operacional da empresa, garantindo que os processos críticos funcionem de maneira eficiente e contínua. 

    Hoje, muitos processos organizacionais — como integração com clientes, aplicativos, e-commerce, financeiro, faturamento, estoque e produção — foram totalmente digitalizados. Portanto, a eficiência desses processos depende diretamente da disponibilidade tanto da infraestrutura quanto dos sistemas. 

    A seguir, apresento os pilares que um líder de tecnologia deve observar com atenção para identificar melhorias e mitigar riscos: 

    1. Infraestrutura & Telecom 

    Esta é uma das áreas mais técnicas da TI, envolvendo diversas especialidades que, juntas, garantem a disponibilidade e a resiliência dos serviços. 

    • Um diagnóstico preciso dos ambientes de Data Center e Cloud permite definir estratégias eficazes para recuperação em caso de falhas. É essencial estabelecer tempos de recuperação (RTO) para cada ativo, em conjunto com as áreas de negócio, alinhando investimentos às prioridades e possíveis regulamentações específicas.

    • O monitoramento constante dos links de comunicação (dados, voz e mobilidade) é igualmente crítico.

    • Dada a quantidade de contratos e aquisições de ativos (hardware e software), a disciplina financeira é indispensável para manter o orçamento de TI saudável e sustentável.

    2. Governança de TI: Gerenciar com Eficiência 

    A governança de TI assegura que os recursos tecnológicos estejam alinhados aos objetivos estratégicos da organização. Frameworks como COBIT e ITIL são excelentes referências para padronizar processos, mitigar riscos e gerar valor. 

    • Encontrar o equilíbrio ideal no nível de controles é crucial. Controles excessivos podem engessar processos, enquanto controles ineficientes ou inexistentes aumentam os riscos operacionais.

    • Indicadores de desempenho devem ser publicados e compartilhados com os times de negócio e com a própria TI. Isso traz clareza e transparência sobre a maturidade dos processos e destaca áreas que demandam maior atenção.

    3. Segurança da Informação: Proteção em Tempos de Ciberataques 

    Em um cenário de ciberameaças constantes, é imprescindível contar com uma estratégia robusta de segurança da informação para proteger a operação da TI. 

    • Processos como gestão de acessos, análise de tentativas de invasão e atualização de patches são fundamentais para manter a infraestrutura segura e disponível.

    • É crucial ter um plano de resposta a incidentes, testado periodicamente, para garantir resiliência em caso de ataques cibernéticos.

    • O investimento em cibersegurança deve ser uma prioridade permanente na pauta estratégica da empresa.

    4. Atualização Tecnológica 

    Manter o parque tecnológico atualizado — com novas versões de sistemas operacionais, bancos de dados e aplicações — é essencial para garantir performance, segurança e compatibilidade. 

    • As migrações devem ser planejadas com cuidado, pois são momentos críticos, comparáveis a um pitstop em uma corrida de Fórmula 1: os usuários precisam voltar à “corrida” o mais rápido possível, com impacto mínimo nos seus tempos de execução.

    • Com o ritmo das inovações cada vez mais acelerado, é imprescindível manter um inventário tecnológico atualizado e construir um calendário anual de atualizações. Cada atualização deve ser tratada como um projeto dentro do Portfólio de TI.

    5. Habilidades e Liderança 

    O perfil dos líderes de TI está em constante evolução. Hoje, é essencial combinar habilidades técnicas com competências de liderança e uma visão estratégica de negócios. 

    • A capacidade de comunicação eficaz com os usuários, fornecedores, fabricantes de tecnologia e BigTechs torna a TI mais ativa e participativa no negócio.

    • Formar um time capacitado, que atenda às demandas de disponibilidade e suporte, é um fator-chave para o sucesso da operação.

    Conclusão 

    Parte significativa do tempo de um gestor de TI deve ser direcionada para assegurar o nível de serviço, garantir disponibilidade e manter o suporte contínuo ao negócio. A construção de um time competente e engajado, alinhado com esses objetivos, é um diferencial importante. 

    E você, como está a TI na sua organização? Compartilhe suas experiências, desafios e insights nos comentários! Seja você usuário ou parte da TI.

  • Segurança da Informação & Defesa Cibernética: o cenário de risco que mais preocupa líderes de TI e de negócio

    Segurança da Informação & Defesa Cibernética: o cenário de risco que mais preocupa líderes de TI e de negócio

    Os ataques cibernéticos tornaram-se a maior preocupação dos C-Levels e Conselhos nos últimos anos, pois levam a interrupção abrupta dos negócios. Os ataques tem sido cada vez mais sofisticados e os prejuízos podem ser irreparáveis aos negócios, principalmente os relacionados à imagem. Empresas de todos os tamanhos e setores tem enfrentado desafios crescentes e contínuos relacionados ao tema, que vão desde ransomware até phishing direcionado. 

    Além disso, regulamentações como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e a GDPR (General Data Protection Regulation) na União Europeia exigem maior rigor na proteção de dados pessoais, com penalidades severas para violações e vazamentos constatados. 

    Mas como se preparar para enfrentar esse cenário? O melhor é entender que isso pode acontecer e estruturar um programa robusto. Assim como antigamente se investia em segurança patrimonial para guardar bens, estoques e materiais, agora, na era da informação, há também a necessidade de fazer o mesmo no mundo digital. 

    Alguns dos ataques noticiados em 2024 

    O número de ataques tem crescido ano após ano, e com perspectivas de continuar a crescer futuramente. O FMI em publicação em abril de 2024 relatou que em duas décadas as perdas foram de aproximadamente de US$12 bi ao setor financeiros (Ataques cibernéticos geram perdas de US$ 12 bi ao setor financeiro em duas décadas, diz FMI | Exame), sendo um quinto do total de ataques globais. Aqui no Brasil trago alguns que foram amplamente noticiados: 

    1. Ataque ao Sistema Siafi (abril de 2024): O Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) foi alvo de uma invasão que resultou no desvio de aproximadamente R$ 15 milhões. Os atacantes utilizaram técnicas de phishing e certificados digitais fraudulentos para acessar contas e autorizar pagamentos indevidos.

    2. Vazamento de dados da Netshoes (julho de 2024): A plataforma de comércio eletrônico Netshoes sofreu um incidente que expôs dados de cerca de 38 milhões de usuários, incluindo informações como CPF, endereços e históricos de compra. Esses dados foram divulgados em fóruns de cibercriminosos, levantando preocupações sobre a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

    3. Ransomware na Braspress (julho de 2024): A transportadora Braspress foi vítima de um ataque de ransomware que criptografou 280 servidores. A empresa recusou-se a pagar o resgate e conseguiu restaurar 100 TB de backups rapidamente, evidenciando a importância de planos de recuperação bem estruturados.

    4. Ataque ao Instituto Nacional do Câncer (janeiro de 2024): O Instituto Nacional do Câncer (Inca) enfrentou um ataque que comprometeu seus sistemas, obrigando a suspensão de sessões de tratamento por três dias. O incidente destacou a vulnerabilidade de instituições de saúde a ataques cibernético.

    Neste exato momento que você lê esse artigo, muitos ataques estão acontecendo e alguns tendo sucesso. Para impedir que incidentes ocorram há uma necessidade urgente de as organizações brasileiras fortalecerem suas defesas cibernéticas e adotarem medidas proativas para proteger seus sistemas e dados sensíveis. 

    O que fazer então? 

    O primeiro grande passo é estruturar um time com profissionais dedicados para o tema. Um dos principais objetivos é que esse time entenda o negócio da empresa e possa avaliar os melhores mecanismos de segurança e defesa para o negócio através de uma avaliação de segurança. Algumas normas e melhores práticas podem também contribuir como o NIST ou a ISO27001. 

    E quando se trata de tecnologias, algumas são imprescindíveis para iniciar a jornada de proteção: 

    • Zero Trust: Um modelo que elimina a confiança implícita, exigindo autenticação e validações contínuas para todos os acessos e movimentações de dados nos sistemas da empresa;

    • Firewall de próxima geração (NGFW): Integra recursos avançados, como inspeção profunda de pacotes e inteligência artificial, para identificar e bloquear ameaças em tempo real;

    • MFA (Autenticação Multifator): Uma solução simples e eficaz que reduz drasticamente o risco de acessos não autorizados. Em 2024, 78% das violações de contas poderiam ter sido evitadas com o uso de MFA, segundo relatório da Microsoft;

    • Data Loss Prevention (DLP): Ferramentas que monitoram e controlam o compartilhamento de informações sensíveis, prevenindo vazamentos acidentais ou maliciosos.

    Dicas para aumentar a segurança da sua empresa: 

    1. Treinamento contínuo: Realize treinamentos regulares para educar os colaboradores, clientes e terceiros sobre as melhores práticas de segurança, como identificar e-mails de phishing e usar senhas seguras.

    2. Criptografia robusta: Implemente criptografia de dados tanto em repouso quanto em trânsito para garantir que informações confidenciais permaneçam protegidas mesmo em caso de vazamento.

    3. Monitoramento constante: Utilize soluções de SIEM (Security Information andEvent Management) para monitorar o ambiente e detectar ameaças em tempo real, permitindo respostas rápidas e eficazes.

    4. Plano de resposta a incidentes: Desenvolva e teste um plano detalhado para lidar com ataques cibernéticos, garantindo que sua equipe saiba exatamente como agir para minimizar os impactos.

    5. Auditorias regulares: Realize avaliações de vulnerabilidade e testes de penetração para identificar e corrigir brechas de segurança antes que sejam exploradas.

    Conclusão 

    A segurança da informação é um investimento estratégico e contínuo. Proteger dados não é apenas uma responsabilidade legal, mas também um diferencial competitivo em um mercado cada vez mais digital. Empresas que priorizam a segurança constroem relações de confiança com clientes e parceiros, posicionando-se como líderes em seu setor.