Dia: 4 de março de 2025

  • A Jornada da Inteligência Artificial nas Organizações: Um Guia para Implementação Estratégica (Parte 2)

    A Jornada da Inteligência Artificial nas Organizações: Um Guia para Implementação Estratégica (Parte 2)

    Olá seja bem-vindo!

    Hoje, falaremos sobre a fase de descobertas de uso dessa tecnologia e sobre como estruturar isso minimamente.

    Fase 2: Investigando as possibilidades

    A fase de investigação é crucial para o sucesso do programa de implementação de IA em uma organização, onde as idéias, sonhos e desejos serão inicialmente registrados e discutidos. Aqui se começa a desenhar também qual solução de IA será utilizada de acordo com o problema a ser resolvido.

    Em algum momento da sua vida profissional você já deve ter participado de algum brainstorming que não deu em nada, ou em que algum tempo depois o conteúdo foi perdido, certo? Isso acontece basicamente por dois motivos:

    • Baixo nível de comprometimento do Sponsor e do C-Level, ou seja, o resultado não conseguiu ser “interessante” para ser incluído no Plano Estratégico e por isso não terá a energia correta dedicada a ele, e pode inclusive ser abandonado aqui.
    • É gerado um numero tão grande de iniciativas que a organização não tem como lidar com tudo e no fim acaba se apegando apenas aos mais significativos ou melhor apadrinhados.

    Precisamos endereçar esse problema antes de prosseguir.

    A prática aqui é alinhar as expectativas estratégicas com as iniciativas para que elas se tornem atrativas ao C-Level da organização.

    Isso pode ser feito a partir da análise de algumas variáveis para cada iniciativa, que são:

    • Aspectos Legais, Éticos  e Regulatórios, quase autoexplicativo, ou seja, se infringe a lei (LGPD por exemplo) ou a ética, descrita no código de conduta da organização. Ela não será aprovada para ser implementada, ou seja nem passa para a fase de avaliação técnica. Esse critério é eliminatório, as iniciativas barradas aqui não precisam aparecer na matriz final de decisão;
    • Viabilidade Técnica: Inclui-se aqui o tempo e o custo estimado para desenvolver a solução, assim como a estratégia de IT que deve suportar a solicitação;
    • Dados: Toda IA. depende de dados para funcionar, e aqui vale a regra SISO (Shit In / Shit out), a organização pode não ter todos os dados, então se mensura a qualidade do que se tem e o tempo para acertar isso;
    • Impacto nos negócios: Vamos pensar em pelo menos quatro subcategorias:

    Com isso tabulado, será possível criar uma matriz de Impacto x Esforço, como mostra figura a seguir.

    Serão submetidos ao Conselho e C-Level os projetos dos quadrantes A e D, visto há possível relevância. O quadrante C pode ser tratado como de iniciativas menores a serem feitas diretamente pelos usuários sem necessidade de um projeto complexo e o B por conta do alto esforço pode ser ignorado no momento.

    Esses conceitos e a matriz trarão clareza a organização e aos stakeholders sobre como os projetos e orçamento deverão ser alocados, isso diminuirá o atrito sobre o assunto.

    Em nosso próximo artigo continuaremos com a investigação das oportunidades espero que a informação até o momento tenha sido útil.

    Caso deseje deixe nos comentários sua visão sobre o assunto, todas as opiniões são bem-vindas!

    Abraços e até o próximo artigo.

  • A Jornada da Inteligência Artificial nas Organizações: Um Guia para Implementação Estratégica (Parte 1)

    A Jornada da Inteligência Artificial nas Organizações: Um Guia para Implementação Estratégica (Parte 1)

    Assunto da moda, Inteligência Artificial está em jornais, revistas, blogs, fóruns, grupos de whatsapp e rodas de bar.

    A discussão varia um pouco dependendo do público, entusiastas testando loucamente todos os sabores disponíveis no mercado, o pessoal da governança arrancando os cabelos tentando impedir que informações sigilosas vazem, os desenvolvedores tentando otimizar seus códigos e as organizações no meio de tudo isso se perguntando como isso vai levar a algum lucro ou se apenas é uma bolha. Se você está inserido no ambiente de Tecnologia da Informação provavelmente já viu ou está vendo tudo isso acontecendo. Se não viu é só um problema de tempo.

    E como se resolve isso?

    Que tal dividir o problema em partes menores e gerenciáveis? Sim, igual em qualquer projeto, mas nesse caso vamos incluir algumas camadas antes de entrar na construção em si.

    A inclusão de IA em uma organização é disruptivo, ela pode afetar as relações de trabalho, os processos internos, os produtos e serviços e a relação em si com o consumidor final.

    Se mexe com gente, mexe em tudo que é relacionado diretamente com gente como a cultura, o propósito, a estratégia e as relações pessoais em si. E isso identifica as primeiras camadas a serem tratadas: Cultura, Comunicação e Estratégia.

    E por que começamos por essa camada tão no alto se o assunto ao final pode se tornar tático ou até menos, pode ser um movimento orgânico?

    Fase1: Conscientizando a Alta Liderança

    Por um motivo simples, essa tecnologia tem potencial de afetar de forma significativa a força de trabalho, não é impossível substituir um call center inteiro por poucos agentes de IA generativa treinada para atender aos clientes. Então, se tem esse potencial explosivo é importante que a discussão comece no nível mais alto das organizações e seja conduzido de forma transparente e sem surpresas.

    Sumarizando o processo dessa fase será o seguinte:

    1. Educação dos lideres seniores, conselheiros, sócios e acionistas sobre IA.
    2. Quais são as aplicações possíveis dessa tecnologia sobre os produtos, serviços e mercado onde a organização está inserida?
    3. Considerando o resultado do tópico 2, que impacto isso terá sobre os stackholders (funcionários, clientes, fornecedores, sociedade, meio-ambiente)?
    4. Que esforço a organização está disposta a fazer sobre o caso? Entenda por esforço toda a urgência, recursos humanos, financeiros, logísticos e de imagem que a organização está disposta a investir.

    Durante o processo será natural que apareçam mais tópicos que precisarão ser tratados, o que importa neste momento é que a liderança mais sênior está ciente e refletiu sobre o tema.

    O resultado da conscientização deve ser um manifesto. Da mesma forma que a missão e a visão, é interessante ter isso por escrito como um documento público. Obviamente não nos referimos aos projetos em si, que podem ser estratégicos e até confidenciais, mas sim a criação de um documento direcional e de compromisso inicial em relação ao tópico. Isso será a base do plano de comunicação.

    Outro ponto importante está relacionado com a próxima fase, que será a de investigação e/ou refinamento das oportunidades que a organização possui, o que precisamos aqui é que um Sponsor seja nomeado e que receba a autoridade necessária para conduzir o processo.

    Será função desse sponsor:

    1. Responsável pela estratégia de IA da organização assegurando que isso seja incluído de forma ampla nos planos de negócio.
    2. Ser o guardião do manifesto sobre IA.
    3. Criar e patrocinar o plano de comunicação detalhado.
    4. Negociar o modelo de trabalho para a introdução da IA
    5. Interagir com as áreas de Tecnologia da Informação e Governança: fundamental que o processo comece com esse apoio para não violar nenhuma politica crítica que possa expor a organização (LGPD por exemplo) ou expor a organização a risco (malware) por falta de experiência em lidar com a tecnologia.
    6. Determinar e negociar o orçamento: é função dele (apoiado pela equipe) determinar e defender o orçamento junto ao conselho e aos seus pares.

    E como isso será incluso plano estratégico se podem ainda não haver detalhes o suficiente para suportar isso?

    Vamos nos lembrar que a estratégia é algo vivo dentro das organizações e suporta e espera mudanças, dessa forma, o exercício pode começar de forma mais ampla e fazer uma proposta mais holística, como por exemplo:

    • Compreensão do setor de atuação da organização: de que forma a IA pode destacar a organização dos outros players?
    • Pioneirismo: É possível ser o inovador no uso da tecnologia dentro desse setor ou mercado?
    • Dados: De que forma nossos dados como estão podem nos ajudar a aumentar a monetização ou melhorar nosso relacionamento com nossos clientes e o mercado em si?
    • Podemos criar um ecossistema onde toda nossa cadeia logistica possa ser beneficiada?

    Na fase 2 do plano será feita a investigação detalhada das iniciativas e isso irá realimentar o plano estratégico.

    É importante detalhar um pouco mais o plano de comunicação antes de prosseguir.

    O propósito do plano de comunicação nesse caso é promover a transparência sobre a decisão e o processo de implementação de IA, gerar confiança e promover a adoção da tecnologia.

    Alguns pontos a serem considerados na construção do plano:

    • Publico-alvo: devem ser identificados os que serão impactados pela IA, cada grupo pode ter níveis diferentes de compreensão e impacto e isso deve ser refletido no plano.
    • Mensagem: Clara e concisa sobre os objetivos de implementar a IA, quais serão os beneficios esperados, os desafios e como isso afetará cada grupo na organização. Aqui também devem ser informados os riscos envolvidos e sua mitigação assim como as regras de engajamento para o uso da tecnologia (segurança, nível de acesso, compliance,etc).
    • Canais: A forma como isso será comunicado, de reuniões presenciais a redes sociais, respeitada a dinâmica de cada meio.
    • Gerenciamento de expectativas: a comunicação deve ser realista sobre as possibilidades de uso evitando e corrigindo promessas irreais.
    • Engajamento e colaboração: Promover o dialogo aberto e seguro, promovendo a cultura de IA e fornecendo feedback aos envolvidos.
    • Resultados: O progresso das atividades deve ser clara e realisticamente reportado, isso garante a seriedade do processo e aumenta o engajamento.

    Com o Plano estratégico e de comunicação embaixo do braço e com as parcerias formadas já é possível ir para a fase 2, a investigação das possibilidades de uso de IA.

    Discutiremos esse processo em um próximo artigo, espero que a informação até o momento tenha sido útil.

    Caso deseje deixe nos comentários sua visão sobre o assunto, todas as opiniões são bem-vindas!

    Abraços e até o próximo artigo.

  • ‬Liderança e Engajamento 

    ‬Liderança e Engajamento 

    ‬Assim como boa parte da população, já tive vários líderes ao longo da minha jornada profissional, naturalmente alguns me marcaram mais do que outros, gostei ou reclamei (quem nunca??) mais de uns do que de outros, mas o fato é que aprendi com todos eles. Mesmo com aqueles que não foram as lideranças mais positivas, eu trago aprendizados relevantes. É possível que isso ocorra, em boa parte, por ter direcionado minha carreira para cargos de liderança e, na prática, eu comecei a sentir as mesmas dores e desafios que eles sentiam? Talvez, mas o importante são os aprendizados e o legado que fica e nos possibilita, igualmente, trabalhar no nosso. É com esta motivação que busco construir minha carreira, entendendo o meu papel enquanto líder, o impacto disso no dia a dia dos times de forma a fazer a diferença para eles, buscando meu 1% melhor a cada dia. Analisando cenários diversos e informações públicas, é amplamente difundido que a maioria das pessoas pede demissão do chefe, não da empresa. Este cenário demonstra o impacto da liderança, ao passo que uma liderança positiva atrai e retém funcionários, uma liderança negativa os afasta, impactando o clima da área em questão e a empresa como um todo 1 . Se a liderança tem todo este impacto quando falamos de atração e retenção, o que falar do engajamento do time? Em pesquisa 2 conduzida pelas empresas Flash, Talenses Group e a FGV, foi identificada a relevância da confiança no engajamento dos times. Considerando a liderança direta 
    como representante da empresa para os funcionários e que engajamento é um dos pré-requisitos para um bom desempenho, fica fácil entender o impacto da liderança. Em reporte anual sobre saúde mental e bem-estar do trabalhador brasileiro para medir o IBC (Índice de Bem-estar Corporativo), realizado pela Zenklub 3 , foi apurado o resultado de 65,4, abaixo do mínimo de 78, considerado como saudável. Dentre os aspectos que impactam o IBC destacam-se os relacionamentos no trabalho, apontando que as lideranças têm um papel fundamental na promoção de um ambiente seguro para seus times, como base para o bem-estar das pessoas. O Gallup conduz uma das principais pesquisas para avaliar o sentimento global dos funcionários 4 . No tocante ao engajamento, em 2023, foi identificado uma média global de 23% dos funcionários engajados, 62% não engajados e 15% ativamente desengajados. A pesquisa procurou identificar o impacto do engajamento e identificou uma correlação entre engajamento e satisfação com a vida, mostrando que os funcionários mais bem satisfeitos tendem a estar mais envolvidos com a empresa. Ainda que não seja o único componente que leva a satisfação com a vida, engajamento é uma variável que precisa ser considerada neste aspecto. A pesquisa ainda aponta que os gestores possuem forte influência no engajamento dos times, impactando em até 70%. Portanto, gestores mais engajados refletem em times mais engajados, impactando positivamente nos resultados da empresa. Segundo a pesquisa, o desengajamento representa um custo global de USD8,9 trilhões anuais, ao passo que funcionários engajados melhoram em 23% a lucratividade, em 68% o bem-estar, reduzem em 51% o turnover e em 63% os incidentes de segurança. No Brasil o engajamento está em 31% e um dos especialistas que analisou a pesquisa destaca a relevância do desenvolvimento das soft-skills para os líderes, sob pena de vermos o porcentual de desengajamento aumentar 5 . Ao mesmo tempo em que a pesquisa destaca a alta influência dos gestores no engajamento dos times (como já colocado, de até 70%), também sinaliza que estes mesmos gestores precisam de apoio, afinal são também funcionários, demandando suporte para que permaneçam engajados. A abordagem se aplica em todos os níveis, do CEO ao assistente. É claro que tanto a pesquisa Gallup quanto outras na mesma linha, assim como qualquer análise em cima de tal tema, considera que estamos lidando com pessoas que estejam dispostas a realizar um trabalho adequado, aspecto que, quero crer, representa a grande maioria dos trabalhadores. Àqueles que não estão muito preocupados com isso e/ou não se portam adequadamente, naturalmente espera-se que sigam outros caminhos, seja por eles próprios ou por intermédio de suas lideranças. Como conclusão, os gestores devem ser entendidos como catalisadores do engajamento, de forma que investir neles é essencial para melhorar o desempenho das equipes e o sucesso organizacional. 

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     1 Segundo publicação do G1 de 22/11/2019, pesquisa da Michael Page apurou que 8 em 10 funcionários pedem demissão em função do gestor direto. Fonte: https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2019/11/22/8-em-cada-10-profissionais-pedem-demissao-por-causa-do-ch efe-veja-os-motivos.ghtml?_ga=2.189291241.359858833.1732026932-661191413.1732026930 

     2 Publicada na VocêRH em 16/02/2024. Fonte: https://vocerh.abril.com.br/politicasepraticas/confianca-nos-lideres-e-o-aspecto-que-mais-afeta-o-engajamento 

    3 Fonte: https://zenklub.com.br/site/evento/report-23?utm_source=blog&utm_medium=organic&utm_campaign=report-saude-mental-2023&utm _term=blog-post&utm_content=download&codigo_de_playbook=zenbook-005 

    4 Fonte: https://www.gallup.com/workplace/349484/state-of-the-global-workplace.aspx?thank-you-report-form=1 

    5 Fonte: https://bluestudio.estadao.com.br/agencia-de-comunicacao/releases/releases-geral/apenas-23-dos-funcionarios-estao-engajados-no-trab alho/